quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Uma rosa com espinhos.. - parte III

O cd de Sinatra tocava na sala,tinha uma colecção invejável de cds dos mais variados estilos possiveis,passando rapidamente de uma compilação feita pelos seus djs preferidos para algo mais nostáligo, conforme o humor que sentisse na altura. Ganhava considerávelmente bem, mas não era pessoa de grandes luxos,mas sempre que fosse á Fnac trazia algo novo, fossem livros ou cds.
Esforçava-se para conter as lágrimas, não se ia permitir abalar mais uma vez, e tentava convençer-se de que era normal haver dias em que nem sempre se conseguia levar a bom porto o esforço empenhado, mas a sua sensibilidade acima da média não a permitia desfrutar da noite como gostaria. Empenhava-se para que tal não acontecesse, debruçada sobre mais um livro de culinária novo que havia adquirido, tentando preparar algo sublime,na tentativa de se descontrair com um paladar diferente do habitual, mas sózinha o alento não era o mesmo.... E o telemóvel mais uma vez tocara, era uma sms do Pedro, que dizia algo simples:
"Queres companhia?" - Lutou consigo mesma durante uma meia hora sobre se havia de responder que sim ou que não, mas não resisitiu...
" Já jantaste?" - Estava e sentia-se derrotada, precisava de sentir uma voz amiga, de ver um olhar meigo, que conhecia como poucas que haviam tido a mesma sorte.Muitas das vezes em ocasiões daquelas manteria a desculpa esfarrapada, mas não daquela vez. Ele devolveu a sms em seguida com um não,ao que ela respondeu de volta:
"Vens?" - Minutos depois Pedro enviou um "estou a caminho...." e sem querer pensar muito nisso esperou a sua chegada. Foi pondo a mesa, e o cheirinho inebriante foi-se soltando do que estava a acabar de apurar. A campainha tocou e ela abriu a porta.
Pedro vinha de tulipa branca na mão, e num gesto estendeu a flor oferecendo-a. Sabia que lhe ia quebrar logo a barreira de gelo que lhe era característica nessas ocasiões.
-Como sempre, um cavalheiro.... - O sorriso dela estava conquistado pensava ele, meio caminho andado para a alegrar.
- Como sempre, um cheirinho divinal.... - Dizia ele enquanto entrava e despia o casaco. - O que estás a fazer?
- Estou a experimentar algo novo, vais ser a minha cobaia hoje, o que vale é que ambos sabemos o que fazer em caso de intoxicação alimentar, brincou ela, e enquanto ele mudava a musica, tinha confiança para isso, pôs algo mais alegre mas romântico dentro do mesmo artista, e sentaram-se a jantar.
Ao longo da refeição falaram de tudo menos do que tinha acontecido naquele dia, ele contou-lhe as peripécias que havia tido com o filho no Oceanário, ela ouvia atenta, e ele foi puxando subtilmente por ela, sobre o que a fazia ser tão reservada e ela ia escapando, sem nunca deixar escapar os pontos chave, enquanto ele bebia as suas palavras, perdido no brilho que os olhos dela tinham,nas suas formas que se insinuavam debaixo do fato de treino justo que ela tinha vestido,simples mas denunciador, deixando-se ir embalado na sua voz, onde a barreira entre a amizade e o desejo ficava cada vez mais pequena,sentia que ela por mais que tentasse esconder ou evitar sentia o mesmo....
À medida que a noite ia avançando, o vinho ia sendo servido, a refeição apreciada e as palavras e risadas iam sendo trocadas, tornava-se para ela cada vez mais dificil esconder que sentia a mesma vontade, o mesmo ardôr, o mesmo impulso que havia sentido outrora, como na noite em que ambos inebriados pelo ambiente e embriagados haviam trocado beijos ardentes e doces, carentes de afecto e calor humano, ambos maltratados pela vida e pelo amor,nunca falaram sobre ela depois, mas hoje sentia-se mulher acima de tudo, com as fraquezas normais....
Foi fugindo ás subtis investidas dele, evitando a todo o custo o olhar de frente, sabendo que acabaria por não resistir, e pensou que se assim fosse estaria segura de si mesma. O jantar terminou e foram para a sala conversar mais um pouco, estavam de plantão apenas de tarde no dia seguinte, não haveriam desculpas de relógios a comandar nem ele aceitaria isso como escapatória para se despedir mais cedo do que ele desejava. Já a noite se alongava pela madrugada quando ele sem pedir licença se aproximou dela e a beijou....
continua....

12 comentários:

  1. A seguir vem a indispensavel cama e toca de romper o colchão!!!

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  2. António....assim tiras o encanto...ah ah aha
    um bj ao luar

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  3. Os deslaços são como as colecções de CD, espalhadas tornam-se impessoais. A entrega deve ser feita de cansaço?

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  4. Continua, continua que eu estava a gostar de ler!!! :)

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  5. António, se cotinuares a ler talvez entendas o resto...
    um bj ao luar

    Alguém, fico muito feliz que tenhas gostado!!! espero não desiludir.
    um bj ao luar

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  6. Ah bom , com que então quem desdenha sempre quer comprar. lol.
    Agora a sério , isto há-de ter um fim , mas vai pensando em encadernar o texto ;D
    Muito bom.

    Jokas :)

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  7. Ficamos à espera do resto então! =)

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  8. Mas isto é lá altura para "continua"?? Andas a aprender com as novelas é?? humm lool

    Jinhos :)

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  9. Dante, há-de ter um fim sim, encadernar???? quem me dera que tivesse qualidade para isso...
    obrigada pelo elogio e por leres.
    um bj ao luar

    Ninja, bem vindo a este espaço! espero que gostes.
    um bj ao luar

    Korrosiva, bem vinda a este lado, e espero que continues a gostar.
    um bj ao luar

    OnlyMe, ah ah ha, é muita Vingança....looool
    um j ao luar

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  10. Qq semelhança com a realidade é pura ficção certo? ;)

    Beijinho azul e.. (continua)

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  11. Karlytus, é ficção sim, embora qualquer história tem pontinhas do autor,digo eu...;)
    um bj azul ao luar

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